quarta-feira, 10 de junho de 2009

Medo!















USP: eu tenho medo, e você?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Onde já se viu aluno fazer greve, minha filha?

ATENÇÃO: NÃO QUERO DISCUTIR A GREVE DE FUNCIONÁRIOS. QUERO APENAS EXPLICAR PORQUE SOU SOLIDÁRIA À GREVE DOS ALUNOS

Passei o dia fora e, quando chego em casa, vejo o absurdo da "ocupação'' da USP pela PM (pq só estudante invade - PM ocupa).

O fato, na verdade, não foi nenhuma surpresa. Qualquer um com um pouco de massa cerebral - coisa que parece faltar no Sr. José Serra e Sra. Sueli - sabe que enfiar um batalhão dentro de uma universidade só poderia dar merda. O que me assusta, no entanto, são os 'mamãe-sou-reaça-e-leio-veja" vomitando suas sábias opiniões sobre a crise. Não estou falando das pessoas que se dizem contra a greve porque acham que cada um tem que decidir se deve ou não aderir à greve. Esses pelo menos argumentam e, embora não concorde com os argumentos mobilizados, é sempre bom respeitar o diálogo e ver o que o outro tem a dizer. Quem me irrita, na verdade, são as pessoas que, profundas como um pires, vêm com o argumento de 'estudante tem que estudar' e 'onde já se viu estudante fazer greve? e na melhor universidade do país?'. A essas pessoas, dirijo esse post.

Tentarei ser bem didática; ainda que não recorra a desenhos, vou tentar explicar o que está acontecendo com o seu país, amigo reaça. Preste bastante atenção e tome nota, ok? Pois bem, vamos ao início de tudo, em algum momento de 2007...

Nesse ano, nosso querido governador José Serra propôs uma séria de medidas para afundar melhorar a educação pública. Como conseqüência, as universidades perderiam  sua autonomia (1) financeira e (2) didático-científico-pedagógica. O que significa isso? Significa que (1) os gastos das universidades deveriam ser aprovados pelo estado (nada como mais burrocracia para sucatear o ensino, não?) e (2) nosso querido governador criou uma tal de Secretaria de Ensino Superior que, dentre outras coisas, definiria o que poderia ser pesquisado.  E o que poderia ser pesquisado, eu te pergunto? Segundo os Decretos do Serra, as pesquisas operacionais deveriam ser privilegiadas em relação às pesquisas básicas. Para quem não entendeu, significa "financiar, com verba pública, o desenvolvimento tecnológico de empresas privadas, visando aumentar-lhes o lucro; em vez de pesquisar os problemas da população, caberia à universidade pesquisar os problemas das empresas "(http://brasil.indymedia.org/pt/red/2008/06/422524.shtml?comment=on).

Quem estava em uma das 3 estaduais sabe o fuá que foi. E, olha que interessante, o furdunço criado, na época, pela invasão (afinal, eram estudantes) da reitoria da USP foi, sem dúvida, fator decisivo para que o governo recuasse em algumas de suas decisões. Mas nem todas...

Ok, ok, isso foi em 2007, você me diz. E o que isso tem a ver com a greve dos estudantes de 2009? E eu te digo que uma das medidas inovadoras e pra frentex que o governo propôs, já em 2007, foi a Univesp, também conhecida como "Universidade Virtual Paulista". E que raios é isso, amigo reaça? A Univesp, segundo o governo, é uma maneira de democratizar o acesso à educação superior e sanar o défcit de licenciados que podem lecionar nas escolas públicas. A Univesp, segundo essa que vos fala, é uma ótima jogada de marketing para futuras candidaturas políticas (à presidência), além de ser o maior engana-trouxa que eu já conheço. Permita-me uma digressão para explicar minha opinião.

Por que as USP é considerada uma das melhores universidades da América Latina (ou a melhor, não sei mais)? Além de toda a infra-estrutura, tem o corpo docente formado, em sua maioria, por pesquisadores excelentes. Como conseqüência, tem muita pesquisa acontecendo na USP, né? Uma universidade, pelo menos para mim, não é uma escolinha onde as pessoas vão para ter aula. Se essa é sua idéia de universidade você tem todo o direito de achar que os alunos da USP tem que calar a boca e voltar para a sala de aula. E se essa é sua opinião, eu tenho todo o direito de te achar um idiota. O aluno de graduação de uma boa universidade tem a chance de ter aula com professores que dedicam sua vida à pesquisa; mais, tem a chance de pesquisar, desenvolver seu pensamento crítico, e, oh, pensar qual é o papel da Universidade no país. Será que é só formar gente? Ou produzir conhecimento que possa ser aplicado à sociedade? Você já ouviu falar do famoso tripé 'ensino-pesquisa-extensão'? Pois é, hoje em dia é isso que define a universidade.

Voltemos à Univesp. Qual é o papel da Univesp? Como está, a Univesp é apenas um grande escolão, pelo qual passarão cerca de 60.000 alunos que obterão um diploma com o mesmo carimbo que o seu, só que com muito menos esforço, sem envolvimento com pesquisa, sem a vivência universitária, sem espaço para debate... Não sou contra EaD, desde que ele seja usado para cursos de especialização, mas graduação NÃO DÁ! E sabe por que? Vejamos:

1. Quem dará aula nesses cursos? Até agora não houve contratações. A proposta é que os professores recebam por hora/aula. Ora, meu amigo, e a pesquisa? Não era uma Universidade? Além disso, já vejo um monte de mestrando dando essas disciplinas (e ganhando bem pouco, pq, afinal, 'é uma grande oportunidade').

2. Qual o material adotado? Apostilas. Vocês já viram como funcionam cursos a distância? Eu já. Com os problemas de direitos autorais, uma apostila é produzida 'mastigando' todo o conteúdo para o aluno. Não sei vocês, mas eu aprendi MUITO na biblioteca do meu instituto, caçando material para fazer os trabalhos de fim de curso.

3. Qual foi o investimento em infra-estrutura? Nenhum! A idéia é usar (a já bagaçada) estrutura da USP, Unesp e Unicamp.

Isso posto, podemos resumir que essas pessoas, formadas em três anos, vão engolir um conteúdo despejado em cima deles sem chance de refletir sobre o que estão aprendendo. E o que é mais bizarro: formaremos professores que se formarão sem professores! 

Além disso, o argumento usado pelo governo de que temos carência de profissionais habilitados para dar aula no ensino público não procede. Tem muita, mas muita gente mesmo que larga a docência por causa da baixa remuneração e das precárias condições de trabalho. Quero ver se não apareceria professor aos montes para dar aula no estado se o salário fosse decente. Tenho amigos licenciados em universidades excelentes que hoje trabalham no comércio, em bancos, escritórios, etc., porque ganham 3 vezes mais do que ganhariam como professor no fim da carreira.

Por isso, não venham me dizer que a Univesp veio para melhorar a educação pública. O máximo que vão conseguir (e talvez seja essa a intenção) será um mercado saturado de gente formada por um curso precário e que, sem opção, acaba abaixando a cabeça e encarando a escolas públicas.

E é contra tudo isso, amigo reaça, que os alunos e professores da USP estão lutando. É contra o desperdício do SEU dinheiro, que será investido em um projeto pedagógico furado e que dará apenas a impressão de que a educação superior foi democratizada quando, no fundo, ela está apenas sendo sucateada. E todo esse processo tem sido conduzido pelo governo às portas fechadas, sem diálogo com professores e estudantes. É por isso que os alunos estão em greve. É por isso que hoje a polícia usou de uma força desnecessária para conter a manifestação. 

Agora, se você acha que isso não é assunto de estudante e que estudante só tem que estudar, me dou ao direito de dizer que você é um grande bundão, que vai passar o resto da sua vida reclamando do preço alto que você paga pela educação privada dos seus filhos sem saber que, lá atrás, você teve uma chance de mudar essa situação. 


E antes que perguntem: sim, já fiz um curso a distância. Sim, foi uma MERDA.

sábado, 6 de junho de 2009

APRESENTAÇÃO

Este blog está sendo criado nas últimas horas de um dia em que passei a maior parte do tempo fazendo o que sempre gostei de fazer: escrever. Quando digo que gosto de escrever, no entanto, não falo de criar histórias, inventar mundos, brincar com a ficção e todas essas coisas que as pessoas que se dedicam a essa atividade fazem. Quando digo que gosto de escrever, refiro-me ao ato mecânico – ou à técnica, se você preferir – de encadear palavra atrás de palavra, sentença por sentença, até produzir um pedacinho de escrita que possa ser facilmente entendido. O que gosto mesmo é de construir subordinadas, coordenadas, tomar cuidado com as anáforas, escolher o conectivo adequado, tudo para que o texto fique limpo e claro. O que me interessa é a forma; o conteúdo é consequência.

Nesse exercício, não me importo se estou escrevendo uma pequena ficção – como gostam a maioria dos aficcionados pela escrita – ou trabalhando em um artigo científico, como faço em boa parte do meu tempo de pesquisadora. A preocupação é sempre passar, de forma clara, aquilo que estou querendo dizer. Talvez seja por isso que, apesar da infância mergulhada em livros e gibis, nunca pensei em mim como escritora. O primeiro motivo, óbvio, é a falta de talento. O segundo, é que o modo como encarei a escrita nunca foi a partir da ótica de quem com ela cria, mas de quem gosta, simplesmente, de usá-la. 

Como disse no início desse post, que tem apenas a intenção de explicar porque esse blog está aqui, passei o dia escrevendo. Mesmo não me dedicando à escrita como forma de criar ficção, ela faz parte do meu dia-a-dia como pesquisadora. Claro que gosto de ler, pesquisar, discutir meu objeto de estudo, mas confesso que é quando tenho que produzir um artigo ou relatório que sinto mais prazer naquilo que faço. Escrever, então, é aquele desafio de pôr no papel detalhe por detalhe de tudo aquilo que foi pesquisado e estudado, sempre buscando sentenças que possam garantir ao leitor (os temidos pareceristas, no caso) uma leitura fácil. E é aí que a diversão começa: faço o primeiro parágrafo, apago a primeira sentença, reescrevo, penso como apresentar as informações de modo a deixar o texto mais coeso, dou exemplos, avalio a melhor maneira de apresentar os gráficos…

O problema com a escrita acadêmica, no entanto, são as restrições que ela nos impõe, principalmente na área das ciências humanas. É sempre um cuidado imenso ao usar este ou aquele termo, esta ou aquela definição, que faz com que o ato de escrever mais pareça um pisar em ovos. Apesar de ser bastante estimulante, é, por vezes, cansativo. Mais de uma vez eu já tive a vontade de jogar o computador pela janela e escrever apenas o que eu quero, sem tem que pensar nas implicações teóricas de adotar uma ou outra designação para o fenômeno que estou observando. E é por isso que este blog está aqui!

O Miscelânea vai abrigar qualquer texto que eu queira escrever sobre qualquer coisa que me vier à cabeça. Posts podem variar entre comentários sobre acontecimentos atuais, desabafos (de modo não muito pessoal), crônicas, ficção, resenhas de filmes, livros, produtos eletrônicos… Qualquer coisa mesmo! O blog está sendo feito por mim e para mim, para eu poder fugir da tensão da escrita acadêmica e, mesmo assim, praticar aquilo que eu gosto de fazer. Se você, leitor, quiser me acompanhar, seja bem-vindo!